Genro de Silvio Santos é condenado após…Ver mais

Uma transação envolvendo Fábio Faria, marido de Patrícia Abravanel e genro do empresário e apresentador Silvio Santos, voltou a chamar atenção após detalhes de um negócio realizado com uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

A negociação ocorreu em fevereiro de 2024, pouco mais de um ano depois de Fábio Faria deixar o cargo de ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro. Segundo apuração do UOL, uma empresa ligada a Vorcaro adquiriu 90% de um projeto de energia eólica pertencente à família de Faria, em uma operação avaliada em aproximadamente R$ 67,5 milhões.

Uma das partes mais chamativas da negociação foi a forma de pagamento. Faria recebeu, como parte da operação, um apartamento de luxo em São Paulo avaliado em aproximadamente R$ 50 milhões.

O imóvel possui 818 metros quadrados de área privativa, cinco suítes, sete banheiros e 11 vagas de garagem. O edifício fica próximo ao Clube Pinheiros e ao Shopping Iguatemi, em uma das regiões mais valorizadas da capital paulista.

O apartamento, porém, não chegou a ser oficialmente transferido para o nome de Faria. Segundo os documentos apresentados na reportagem, ele teria recebido o imóvel como parte do acordo e recolhido o ITBI referente à operação.

Meses depois, em setembro, o apartamento foi revendido para uma empresa ligada ao empresário João Camargo por R$ 54 milhões. Do valor da venda, R$ 24 milhões foram pagos à vista, enquanto os outros R$ 30 milhões foram divididos em 12 parcelas mensais de R$ 2,5 milhões.

Outro detalhe curioso envolve a família de Faria. Segundo as informações divulgadas, Patrícia Abravanel não teria interesse em deixar a residência onde a família morava para se mudar para o apartamento. Com isso, o imóvel acabou sendo colocado à venda.

Negócio ainda levanta questionamentos

A operação também chamou atenção porque, dois anos depois de sua assinatura, a mudança societária relacionada ao projeto de energia eólica ainda não aparecia formalizada nos registros da Junta Comercial e da Receita Federal. A negociação teria sido feita por meio de um contrato de cessão de quotas.

O projeto, localizado no Rio Grande do Norte, previa inicialmente capacidade de geração de 240 megawatts, com possibilidade de expansão. Entretanto, reportagens apontaram dificuldades relacionadas à capacidade da rede de transmissão da região.

Fábio Faria afirmou, por meio de nota, que a negociação foi realizada quando ele já estava fora da vida pública e que não conhecia a empresa compradora durante o período em que exerceu funções políticas. Ele também afirmou que todas as obrigações fiscais relacionadas à operação foram cumpridas.

É importante destacar que a realização da transação, por si só, não significa que Fábio Faria tenha cometido um crime. O fato de ele ainda ser considerado uma Pessoa Exposta Politicamente (PEP) na época exigia atenção adicional às operações financeiras, mas isso não torna automaticamente a negociação ilegal.

O negócio voltou a ganhar repercussão em meio às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, aumentando a curiosidade em torno da relação empresarial entre o banqueiro e o ex-ministro.

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